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O MEU DIÁRIO de André Batista

O coronavírus pertence ao grupo dos vírus comuns entre os animais, o que significa que pode ser transmitido de animais para os seres humanos através do contacto. A OMS declarou a 11 de março de 2020 pandemia, o que quer dizer que atravessa todos os continentes. Para evitar a propagação do vírus, as escolas fecharam e nós ficamos em casa. Tempos negros se aproximam com a chegada dessa nova realidade.


 



Dia 1


   Os dias já não são os mesmos, tudo mudou, esta ameaça é maior do que pensávamos. 


   Hoje, acordei cedo, devido ao hábito de ir para a escola, mas ainda me custa aceitar que isso mudou. Fui despachar-me, pois sabia que embora não estando na escola havia sempre trabalho. Sentei-me na secretária e comecei a fazer as atividades propostas pelos professores. 


   Depois do almoço, fui dar uma volta na minha bicicleta. Como vivo no campo, não há problema de contacto com as pessoas. As ruas estavam desertas, os parques onde antes havia sempre jovens e idosos pareciam abandonados, tudo tão silencioso que só se ouviam os barulhos da natureza.


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 Depois de jantar, fui jogar com os meus colegas e falar sobre o dia. Passámos bons momentos, mas tenho saudades de estar com eles. 


 


Dia 2


   As pessoas mudaram… Estão muito diferentes, existe um clima de desconfiança, já quase não falam, nem sorriem, predomina o medo. Nos supermercados, as filas estão gigantes, as pessoas usam máscaras e luvas! A mãe diz que faz lembrar os tempos de guerra que a sua avó contava… se calhar é mesmo uma guerra… 


   Hoje de manhã, a minha mãe chegou do trabalho triste, com lágrimas nos olhos. A mãe é enfermeira, ela foi mobilizada para a frente do combate a esta pandemia. Vejo que anda triste e com medo por nós (seus filhos) e medo por ela e pelas pessoas que vai tratar… Já não sorri como antes, já não nos abraça como antes… Chega a casa, vai logo tomar banho, desinfetar-se. Ela limpa a casa e desinfeta constantemente. Não sabemos quando vai acontecer, mas quando for, vamos estar muito tempo sem a ver… Não sabemos quando vai nem quando volta… não sabemos se a voltamos a ver… 


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 A minha irmã é especial. Depende muito de nós. Ela tem PHDA (deficit de atenção e hiperatividade) e pergunta constantemente pela mãe. Eu tento ajudar, mas tenho tanta coisa para fazer…Os colegas têm muitas dúvidas, ligam-me constantemente. Estou a tentar ajudar todos e estou a tentar manter-me o André de sempre. 


  Hoje, é Dia do pai! Fomos passar a tarde toda com ele (os meus pais são divorciados). Divertimo-nos, brincámos, mas, claro, sem sair à rua e sempre com receio! Os meus avós pertencem ao que chamam “grupo de risco”! Gostei muito desta tarde, já há muito tempo que não tinha uma tarde de brincadeira com o pai! 


  Tenho saudades da escola, dos amigos, de rirmos, das aulas com os professores. Tenho saudades da Liberdade, éramos felizes e não sabíamos! 


Penso que podemos tirar uma lição deste tempo: aproveitar o tempo, sermos amigos, dar importância às coisas que achávamos insignificantes. É altura das pessoas “afinarem” os seus princípios e valores!


A vida não será a mesma depois disto! 


Vai correr tudo bem… espero. 


 



19 Março 2020


André Batista

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